Entrevista com o Druida Lanon

O druida Lanon conduz o Collège du Chaudron des Druides (Colégio do Caldeirão dos Druidas) em Paris e é um dos fundadores da UDB. Abaixo ele nos fala um pouco sobre a Tradição dos Druidas:

Druida Lanon, você pode nos contar sobre o seu passado?

Tudo começa na minha infância na Bretanha. Eu tinha uma avó que dirigia um restaurante em Pontivy onde às vezes se reuniam pessoas de certa idade e que falavam sobre a tradição celta. Eu era uma criança, mas uma das minhas irmãs e eu estávamos fascinados por suas discussões, sem necessariamente compreender todo o conteúdo. Quando fui com a minha família para Paris para trabalhar, nós permanecemos comprometidos com a cultura bretã. Este foi, sem dúvida, uma influência na minha educação. O tempo passou e adolescente eu sentia cada vez mais atraído pelas culturas Bretã e Céltica de forma mais ampla. Eu era um “fã” de Alan Stivell. Com cerca de 18 anos, eu soube de um Druida em Drancy (93), o Druida Bod Koad (Paul Bouchet). Diante da minha pouca idade, eu frequentei esporadicamente seu Colégio. Alguns anos mais tarde, chefe de família, participei mais ativamente deste Colégio.

O que o trouxe a Tradição Druídica?

Primeiramente um espírito de liberdade relacionada com a natureza e à vida em geral.

Você poderia nos falar mais sobre isso?

Este espírito de liberdade vem em primeiro lugar do fato de que, ao contrário da maioria das religiões, não consideramos que o diabo ou o “mal” seja algo externo. Se ele existir, ele vem de nossa escolha de fazer o bem ou o mal. Assim, cada ser é livre e responsável por seus atos. Se o homem não existisse, os demais reinos (animal, vegetal, mineral) continuariam existindo. Desastres, cadeia alimentar… Tudo existiria, mas não apresentaria um princípio maléfico. Um homem com a sua capacidade de antecipar e escolha pode fazer o “mal”. Por isso ele é livre. Isto é o que ensina a primeira Tríade: Um Deus, uma Verdade, uma Liberdade, ponto de equilíbrio em todas as coisas.

Eu me refiro ao trecho da obra “Mes Semailles” de Phileas Lebesque que diz: “não existe um conceito no intelecto humano que não tenha seu oposto imediato. Não há nada que sendo atingido pela Luz, reproduza uma forma diferente de sua sombra. Na verdade, a Unidade se polariza primordialmente em dois conceitos opostos: o Ser e o Não-Ser. Isso determina a Manifestação. Tudo é polarizada para gerar vida e isto é simbolizado pelas duas serpentes do Caduceu. Eu disse para gerar vida, porque nunca há o dois sem o três”.

As Tríades: o que são?

São um conjunto de textos que levam à reflexão e à meditação. São lições que nos falam sobre a responsabilidade do ser humano em sua evolução. Não são um conjunto de leis ou preceitos que obrigatoriamente devem ser seguidas. Vale a pena lembrar que a Tradição Druídica não é nem dogmática nem proselitista.

Há outros ensinamentos?

Com certeza. Eles são múltiplos. Eles são principalmente de origem céltica, mas incluem outras origens diversas. Nossa tradição existe segundo a Tradição Primordial, como tantas outras. Ela não é superior ou inferior, mas complementar.

O que é a Tradição Primordial?

Ela é o Um. É o conhecimento do Universo. No nosso planeta, todas as formas de ensino e pesquisa (filosofia, religião, espiritualidade, ciência…) são suas facetas.

Quais são os valores mantidos pela Tradição Druídica?

O mais importante de tudo: o Humanismo. Em outras palavras, o outro é necessariamente diferente. Nós, os homens, devemos aprender a respeitar as diferenças dos outros. Por exemplo, em uma floresta você encontra duas árvores idênticas? Provavelmente isso seja impossível. Mas cada árvore faz parte da floresta e isso é o que a torna bela e rica.

A Tradição Druídica é uma religião, uma filosofia ou outra coisa?

Inicialmente ela é uma filosofia vida. Depois ela pode ter um aspecto religioso em rituais pelas passagens das estações do ano e para marcar os momentos importantes da vida humana: o nascimento, união, morte…

Para aqueles que estão interessados em ingressar nessa tradição, existem pré-requisitos?

Nós frequentemente utilizamos uma bandeira xadrez composta de quadrados verdes e brancos, pela simples razão de que estamos agora em uma situação semelhante aos nossos colegas budistas. Eles foram capazes de mostrar ao Ocidente que não é necessário ser do Tibete para seguir esta filosofia. Voltando à bandeira, o quadrado branco representa o que é de origem céltica e o verde representa as influências externas que vieram para enriquecer e integrar nossa Tradição. Assim, não é necessário ser de uma origem particular, falar uma língua celta, possuir um diploma universitário ou ter uma profissão intelectual para seguir nesse caminho. Ele é aberto a quem quiser segui-lo com humildade e determinação.

E por fim: o que você diria para alguém que queira seguir a Tradição Druídica?

Deixe de lado seus ganhos pessoais e aceite abrir os olhos para uma nova realidade.

Druida Lanon obrigado por essas respostas.
Fonte: http://http://clairierebellovaque.webnode.fr/news/interview-du-druide-lanon/

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